Apesar dessa busca pela racionalidade não-matemática, eu curiosamente cheguei à conclusão de que esse caminho, a ferro e fogo, não me trará felicidade. É até contraditório, pois não faz muito tempo que eu tenho dito para mim mesmo, no que concerne as religiões, que a consciência da incerteza que leva ao agnosticismo (essa é a minha "religião" atualmente) é, no fundo, um reconhecimento da minha própria limitação e, por conseguinte, de humildade. É também apaziguador, já que tudo pode ou não ser.
Porém, o raciocínio pelo raciocínio estava me levando a ser uma pessoa ranzinza, pois tudo tinha um porque e uma consequência. Assim, permiti a mim mesmo ter um pouco de irracionalidade (por exemplo, curtindo rítmos de música inescutáveis, como o pancadão que todo santo sábado tem na minha região, e que me serve de música de ninar), mas qual a lógica nessa escolha? Ou seja, quando deixar de ser racional e começar a ser emocional? Não tenho a resposta e provavelmente nunca a terei.
De qualquer modo, e aqui vem a racionalidade, notei que esse sentimento já foi mencionado por Lao Tsé (no Tao Te King), quando ele fala sobre a "inação" como forma de não gerar mais karma; já foi dito por Buddha ao defender o desapego aos desejos; já foi dito por Albert Camus ("a vida é melhor vivida quando não faz sentido") e até entendi (eu acho) que Schopenhauer chegou a essa conclusão. Neste último caso, pela minha interpretação, ele resolveu seguir em frente com a racionalidade extrema, chegando então à conclusão de que nada faz sentido e que, por isso, não vale a pena querer algo, pois isso em si não tem sentido (daí o seu famoso "pessimismo"). Eu li isso também num livro sobre meditação (não lembro o nome agora), onde o autor respondia assim àqueles que perguntavam como ele estava: "Suportando!", querendo com isso indicar um perfeito estado de indiferença entre as coisas "boas" e "ruins" da vida. Qualquer coisa serve, afinal, nada tem sentido! :o
Complementando o raciocínio: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2014/03/1433278-melhor-impossivel.shtml
ResponderExcluir"Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue suportar" (F. Nietzsche)
ResponderExcluirVivemos num Universo que está em constante transformação e que o Mundo representa um instante de prosperidade/estabilidade que deu origem à Vida. Ele representa um equilíbrio dinâmico entre opostos, antagonismos (complementares), expressos fisicamente pelo homem/mulher, dia/noite, vida/morte, +/-...
ResponderExcluirViver é isso, flutuar neste sobe e desce de opostos, pois o que é estático, representa equilíbrio perpétuo - o caminho do meio é onde passamos para recarregar as nossas energias para podermos darmos continuidade e nos superarmos (quando estamos tristes/desapontados) mas também podermos ir muito alto, rir/amar! Estar se afogando em harmonia (Falamansa!) deve ser muito chato! Não ri, não chora, não fede, não cheira... tipo sem qualquer graça! O famoso OK! Uma analogia interessante que ouvi um dia destes numa conversa de bar: o próprio coração (eletrocardiograma) nos mostra que a Vida é isso: bip (sobe, desce), bip (sobe, desce)... beeeeeeep (morreu = harmonia = linha constante = equilíbrio eterno).
Aliás, esbarrar nos extremos (não viver lá!) como sentir o verão/inverno, ter fome/saciedade, ouvir barulho/silêncio; nos faz sentir vivos e valorizar o belo de cada etapa, de cada fase da Vida e perceber que tudo não passa de um momento que enquanto o vivenciamos parece eterno... Viver é ter histórias pra contar! (sometimes we win, others we learn!).
A invariância por escala (essência da dimensionalidade fractal) quando olhamos para dentro (células/átomos) e para fora (sistema solar/galáxia), nos mostra que fazemos parte do criador e Ele faz parte de nós, e atribuirmos algum sentido a "tudo isso" simplesmente limita à escala humana uma dimensão de entendimento, portanto parcial/estreita/"biased" por questões que tangem à nossa própria limitação cognitiva e sensorial, logo não entendemos o "porquê" disso tudo - normal!
Até este momento, aos 45 anos, enxergo a Vida como um processo de:
a) tentar ser a sua melhor versão a cada dia - em pequenas ou grandes coisas, não importa!;
b) entender que cada um faz o melhor que pode com o que tem/com o que é, dentro das suas próprias limitações - portanto não julgue;
c) o Amor é a energia mais poderosa do Universo (erramos por ela e também fazemos guerra por ela) - possui múltiplas formas;
d) acredite que o melhor irá acontecer para você (vivenciei isso inúmeras vezes por perceber que o que me foi negado quando eu mais queria, veio melhor e mais completo depois) - mas desde que você faca a sua parte e confie! Neste cenário, o ruim se torna bom quando compreendemos que a nossa real evolução é o maior propósito, pois estamos todos conectados! Se você se desenvolve, todo o sistema ganha com isso!
e) a Vida não tem manual de instruções pois cada um é um ser único (fruto dos seus genes/ancestrais, das suas experiências/meio e valores (lentes que te mostram as realidades que você quer ver)) - conhece a ti mesmo e siga as suas intuições!