Apesar dessa busca pela racionalidade não-matemática, eu curiosamente cheguei à conclusão de que esse caminho, a ferro e fogo, não me trará felicidade. É até contraditório, pois não faz muito tempo que eu tenho dito para mim mesmo, no que concerne as religiões, que a consciência da incerteza que leva ao agnosticismo (essa é a minha "religião" atualmente) é, no fundo, um reconhecimento da minha própria limitação e, por conseguinte, de humildade. É também apaziguador, já que tudo pode ou não ser.
Porém, o raciocínio pelo raciocínio estava me levando a ser uma pessoa ranzinza, pois tudo tinha um porque e uma consequência. Assim, permiti a mim mesmo ter um pouco de irracionalidade (por exemplo, curtindo rítmos de música inescutáveis, como o pancadão que todo santo sábado tem na minha região, e que me serve de música de ninar), mas qual a lógica nessa escolha? Ou seja, quando deixar de ser racional e começar a ser emocional? Não tenho a resposta e provavelmente nunca a terei.
De qualquer modo, e aqui vem a racionalidade, notei que esse sentimento já foi mencionado por Lao Tsé (no Tao Te King), quando ele fala sobre a "inação" como forma de não gerar mais karma; já foi dito por Buddha ao defender o desapego aos desejos; já foi dito por Albert Camus ("a vida é melhor vivida quando não faz sentido") e até entendi (eu acho) que Schopenhauer chegou a essa conclusão. Neste último caso, pela minha interpretação, ele resolveu seguir em frente com a racionalidade extrema, chegando então à conclusão de que nada faz sentido e que, por isso, não vale a pena querer algo, pois isso em si não tem sentido (daí o seu famoso "pessimismo"). Eu li isso também num livro sobre meditação (não lembro o nome agora), onde o autor respondia assim àqueles que perguntavam como ele estava: "Suportando!", querendo com isso indicar um perfeito estado de indiferença entre as coisas "boas" e "ruins" da vida. Qualquer coisa serve, afinal, nada tem sentido! :o